memórias de minhas carnes

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Camila Dalvi é mente, corpo e palavra. No princípio era o verbo, não é mesmo? Suas palavras nascem verbo, mas elas dançam. Como as linhas sinuosas e melífluas do Ballet Egípcio elas se lançam correndo pelas folhas, se deliciando com a própria fonte. O que salta delas não nasce apenas do cérebro, como invisíveis ondas etéreas, mas brota pelos poros, após percorrer os escaninhos do corpo. Feito sangue.

Os contos surgem através das memórias da carne. Nascem da luxúria e do prazer-dor da carne. Porque sim, para além da alma e da poesia, somos carne. E essas nossas entranhas são capazes de nos proporcionar prazeres tão simples como sentir as cutículas pularem acochadas pelo alicate, ver a superfície das folhas cheias de palavras ou sentir a volúpia de observar o carmim do sangue em fluxo se esvaindo. Potente.

É através das carnes que sentimos o gozo, o prazer. O amor? Esse surge através do corpo, mas também flui pelas palavras. Como disse Camila: “Arvoro-me de palavra, de toda ordem. Minha lascívia é linguística. Literária, verborrágica, soberana.”

Mergulhem então nas palavras, prazeres, carnes, dores e memórias de Carmem. De carne. De Camila.

Cristina Mascarenhas